A barba mal-feita coçando o fez acordar. Não olhou no relógio nem no espelho. Tudo estava intacto, como sempre esteve.
-O mundo é tão absurdo quanto um sonho. – Balbuciou sonolento – Trabalhamos, nos relacionamos, ficamos gripados... Comemos macarrão no domingo. Isso tudo é um grande absurdo. - E riu, ainda coçando a barba.
A barba mal-feita coçando o fez acordar. Não olhou no relógio nem no espelho. Tudo estava intacto, como sempre esteve.
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25/02/2009
29/01/2009
Sobre o Peixe Amarelo Desaparecido
Aconteceu outra vez. Oito e quarenta e três. Céu claro, poucas nuvens, sol alaranjado. Os cachorros latiam no quintal e o papagaio reclamava do barulho. Estavam agitados. Poderia ser um dia como qualquer outro, mas não foi.
Leonardo, detentor do aquário doméstico, localizado ao sudoeste da cozinha (debaixo da pequena prateleira com flores, sob a fruteira e anteposto à porta, de frente à mesa de jantar e ao oeste do toalete), surpreendeu-se ao dar falta de um dos cinco peixes residentes do aquário. Ainda sonolento, esfregou os olhos e tentou localizar o fugaz peixinho, pensando estar tendo alucinações. Assustou-se. Ele (o peixe) realmente não estava localizado no recinto aquariano, localizado à direita da geladeira familiar.
Foi então que me procuraram. Meio-Dia e Vinte e Sete. Eu estava inerte àquela hora da manhã. Engoli o café com os relatos desesperados do Sr. Leonardo, e da Sra. Tereza, co-detentora e sócia do aquário doméstico, localizado na zona de nutrição, cinco passos para o sudoeste partindo em vinte e três graus diretamente da entrada do corredor que vem e vai para a sala de estar. Estavam assustados. Leigos.
-Deixem-me sozinho... eu resolvo as coisas por aqui – Pedi, olhando para o horizonte com olhar sonhador, e o lábio inferior pouco rígido, a sobrancelha esquerda em sua extremidade direita ondulava, enquanto uma intensa atividade cerebral se desenvolvia.
Examinei o local do ocorrido com extrema perícia.
-Suicídio. – Decretei friamente. E andando de um lado para o outro, fazendo movimentos vagos com as mãos, continuei:
-O infortunado peixe suicidou-se batendo a cabeça no vidro do aquário, mas antes pediu para seus companheiros de estadia, os peixes dourados, para que queimassem seu corpo. Ele queria jogar com vocês. Esses peixes querem deixar vocês malucos, e estão conseguindo. – Deram um soluço de susto. Leigos.
Então transferimos os peixes-cúmplices para uma jarra de plástico de segurança máxima. Tentamos interrogá-los, mas se mostraram nervosos e contrariados. Tortura? Não. Não podíamos arriscar nossas testemunhas/suspeitos.
Treze horas e cinqüenta e três. O sol quente ajuda no clima de tensão. Investigamos o aquário, o corpo do peixe não estava enterrado nas pedrinhas coloridas. E os peixes não queimaram o corpo do suicida. Não.
Acabamos por achar o corpo do jovem peixe infortunado. Estava preso dentro de um pequeno pedaço de coral, numa de suas cavidades redondas.
Sra. Tereza não agüentou a visão horrenda e quase fantasmagórica do peixe defunto. Com seu lenço rendado saiu do recinto, num discreto pranto, e foi tomar um ar. Quase que lança seu café da manhã pelo chão rústico do quintal.
O peixinho macilento jazia com os olhinhos petrificados e sonhadores. Seu corpo estava inchado pela água e esbranquiçado pelo tempo. Pensei na família do peixinho, agora de um amarelo gasto. Eu estava quase emocionado, mas me recompus.
Sr. Leonardo, detentor do aquário, decidiu tirar todas as pedrinhas coloridas do aquário. Estava com medo de algum atentado. Nunca se sabe. Tirou também todas as frivolidades, como os enfeites e plantas artificiais. Os peixes ficaram quietos quando transportados de volta ao agora vazio doce lar. Acabou. Por enquanto.
Leonardo, detentor do aquário doméstico, localizado ao sudoeste da cozinha (debaixo da pequena prateleira com flores, sob a fruteira e anteposto à porta, de frente à mesa de jantar e ao oeste do toalete), surpreendeu-se ao dar falta de um dos cinco peixes residentes do aquário. Ainda sonolento, esfregou os olhos e tentou localizar o fugaz peixinho, pensando estar tendo alucinações. Assustou-se. Ele (o peixe) realmente não estava localizado no recinto aquariano, localizado à direita da geladeira familiar.
Foi então que me procuraram. Meio-Dia e Vinte e Sete. Eu estava inerte àquela hora da manhã. Engoli o café com os relatos desesperados do Sr. Leonardo, e da Sra. Tereza, co-detentora e sócia do aquário doméstico, localizado na zona de nutrição, cinco passos para o sudoeste partindo em vinte e três graus diretamente da entrada do corredor que vem e vai para a sala de estar. Estavam assustados. Leigos.
-Deixem-me sozinho... eu resolvo as coisas por aqui – Pedi, olhando para o horizonte com olhar sonhador, e o lábio inferior pouco rígido, a sobrancelha esquerda em sua extremidade direita ondulava, enquanto uma intensa atividade cerebral se desenvolvia.
Examinei o local do ocorrido com extrema perícia.
-Suicídio. – Decretei friamente. E andando de um lado para o outro, fazendo movimentos vagos com as mãos, continuei:
-O infortunado peixe suicidou-se batendo a cabeça no vidro do aquário, mas antes pediu para seus companheiros de estadia, os peixes dourados, para que queimassem seu corpo. Ele queria jogar com vocês. Esses peixes querem deixar vocês malucos, e estão conseguindo. – Deram um soluço de susto. Leigos.
Então transferimos os peixes-cúmplices para uma jarra de plástico de segurança máxima. Tentamos interrogá-los, mas se mostraram nervosos e contrariados. Tortura? Não. Não podíamos arriscar nossas testemunhas/suspeitos.
Treze horas e cinqüenta e três. O sol quente ajuda no clima de tensão. Investigamos o aquário, o corpo do peixe não estava enterrado nas pedrinhas coloridas. E os peixes não queimaram o corpo do suicida. Não.
Acabamos por achar o corpo do jovem peixe infortunado. Estava preso dentro de um pequeno pedaço de coral, numa de suas cavidades redondas.
Sra. Tereza não agüentou a visão horrenda e quase fantasmagórica do peixe defunto. Com seu lenço rendado saiu do recinto, num discreto pranto, e foi tomar um ar. Quase que lança seu café da manhã pelo chão rústico do quintal.
O peixinho macilento jazia com os olhinhos petrificados e sonhadores. Seu corpo estava inchado pela água e esbranquiçado pelo tempo. Pensei na família do peixinho, agora de um amarelo gasto. Eu estava quase emocionado, mas me recompus.
Sr. Leonardo, detentor do aquário, decidiu tirar todas as pedrinhas coloridas do aquário. Estava com medo de algum atentado. Nunca se sabe. Tirou também todas as frivolidades, como os enfeites e plantas artificiais. Os peixes ficaram quietos quando transportados de volta ao agora vazio doce lar. Acabou. Por enquanto.
23/01/2009
Sobre o Roubo
Certas tardes você se sente vazio e incompleto. Acredito que as tardes sejam especiais e até mesmo mágicas, elas parecem um período de transição para algo especial, que é a noite. Ela funciona como um preâmbulo para os acontecimentos noturnos. Talvez por isso as tardes sejam nostálgicas.
Eu pensava nisso enquanto subia a rua, numa tarde de sexta-feira. Eu estava angustiado; Tinha que levá-la à rodoviária, e não há nada pior que alguém querido partir numa tarde, pois você sempre vai ter o resto da tarde e toda a noite para ficar sozinho. Não reclamo de tardes com pessoas queridas, só digo que a noite combina mais com tais pessoas. Não sei explicar o por quê, a noite tem um cheiro, que é um tempero para uma boa companhia.
Foi então que vimos quatro livros em cima de uma mureta redonda, que fica numa esquina bem movimentada, ainda mais de sexta-feira com os bares fervilhando. Os livros estavam alinhados, como se arrumados por alguém. -Deve ser de alguém, concluímos, e seguimos nosso caminho. Eu estava intrigado, não se vê livros por aí jogados (de um modo organizado) todos os dias. Ainda mais numa tarde. Uma tarde de sexta.
Eu não quis isso! Juro que não! Mas fiquei completamente fora de mim quando, voltando pelo mesmo caminho, percebi que os livros ainda estavam lá! Não pude resistir, e andei devagar, perto da mureta para observar esses objetos fascinantes que são os livros. Os três últimos livros eram vermelhos, eram sobre idiomas, mas ironicamente, o mais próximo de mim foi o que me chamou a atenção. Preto, capa dura e desenho em dourado. Não era uma bíblia, pois um gato maligno estava desenhado aos pés de uma senhora com um longo vestido, que se espalhava por sobre toda a extensão da capa. Pude ler “Poe - Histórias Extraordinárias”.
UM PRESENTE DE DEUS! Isso! Um presente divino um livro numa tarde sexta-feira! Presenciei um milagre! Participei de um milagre. Bem sabe você que não se nega um presente. Ainda mais divino.
Eu desci a rua como se o livro sempre fora meu. Por algum motivo eu me sentia bem sem nenhum traço de remorso. Como eu poderia deixar aquele livro ali, sozinho? Digam-me! Como alguém, n’uma tarde de sexta-feira pode deixar livros ao relento?!
Folheei as páginas para ver se algo estava escrito, quem sabe uma mensagem de parabéns, uma dedicatória de algum amor, enfim, qualquer coisa. Mas nada estava escrito. Me senti poderoso, como qualquer homem que se apropria de algo que não lhe pertencia. Acontece que muitas vezes esse sentimento de poder é falso e nebuloso.
Fiz as formalidades e coloquei o livro na estante com meus outros, para que pudesse sentir-se melhor. Sabe-se lá, deve ser um tédio passar uma tarde de sexta-feira do lado de três livros de idiomas.
Três batidas apressadas bateram na porta. Tive um mau presságio e por um momento único senti um intenso remorso que durou segundos infinitos. Chacoalhei a cabeça e voltei a mim. Peguei o copo de café em cima da mesa, como se o recrutasse para meu companheiro. Como se ele pudesse me proteger. Eu estava com um medo irracional.
Girei a chave, e antes que pudesse ver quem batia na porta, fui surpreendido, e levei três tiros no peito. O rapaz de luvas foi embora, e olhando ao meu redor, vi uma poça de sangue, meu sangue, fazer uma forma disforme no tapete da sala.
O que mais me deixa confuso é que o livro continuou lá, na minha estante, com os outros livros. Não resisti e acabei por morrer naquela sexta-feira. O céu já estava escuro. Parece que a tal “transição para algo especial” realmente ocorreu para mim. Penso hoje em dia que tardes são perigosas, mão não me arrependo do meu singelo roubo.
18/01/2009
13/01/2009
Pisciana
Ela é todo um mar, calmo de dia, preguiçoso ao entardecer e revolto de noite. Injusto chamar-la apenas "Pessoa de peixes", sendo que suas águas perfumadas abrigam os mais variados tipos de cardumes multicoloridos e diversos tamanhos; sendo que suas águas escuras e profundas abrigam as criaturas luminicentes e misteriosas, dos mais estranhos e fascinantes hábitos.
Na sua superfície vejo uma praia sedutora. Teus seios são corais multicoloridos que se avivam a cada onda que os atinge. Ondas que partem do seu íntimo, trêmulas mas certeiras. Teus peixes pulam em quedas d'água repentinas, nadando contra a correnteza. Esses cabelos com fios de vários tons são marolas inebriantes, com picos fulgentes pelo sol do meio-dia. Afogo-me nesses cabelos como marujo entediado! Nas suas costas nuas quero jogar o meu corpo; Tuas costas são cristas de onda que me arrebatam para e frente e para trás num ritmo sereno e hipnotizante. Que essas ondas jamais me atire em terra firme. Quero nadar pelas ondas de seus corpo, como atleta.
Quero navegar como capitão em todos os seus muitos mares neste meu frágil barco construído com todo o meu exagero e paixão. As velas são minhas loucuras e sem âncora velejo até deparar-me com uma de suas possíveis pedras pontiagudas, que me servem de freio! Mas em cima de cada pedra existe uma sereia, que canta rodiada de seres simpáticos como caranguejos, ostras e bolachas do mar.
Teus peixes e cardumes são teus sentimentos, o mar e a correnteza o seu desejo e sentimento. Tuas pedras são tuas confusões que me afastam e tuas sereias e seres simpáticos são as certezas finais e inegáveis que me puxam para perto de ti.
Na sua superfície vejo uma praia sedutora. Teus seios são corais multicoloridos que se avivam a cada onda que os atinge. Ondas que partem do seu íntimo, trêmulas mas certeiras. Teus peixes pulam em quedas d'água repentinas, nadando contra a correnteza. Esses cabelos com fios de vários tons são marolas inebriantes, com picos fulgentes pelo sol do meio-dia. Afogo-me nesses cabelos como marujo entediado! Nas suas costas nuas quero jogar o meu corpo; Tuas costas são cristas de onda que me arrebatam para e frente e para trás num ritmo sereno e hipnotizante. Que essas ondas jamais me atire em terra firme. Quero nadar pelas ondas de seus corpo, como atleta.
Quero navegar como capitão em todos os seus muitos mares neste meu frágil barco construído com todo o meu exagero e paixão. As velas são minhas loucuras e sem âncora velejo até deparar-me com uma de suas possíveis pedras pontiagudas, que me servem de freio! Mas em cima de cada pedra existe uma sereia, que canta rodiada de seres simpáticos como caranguejos, ostras e bolachas do mar.
Teus peixes e cardumes são teus sentimentos, o mar e a correnteza o seu desejo e sentimento. Tuas pedras são tuas confusões que me afastam e tuas sereias e seres simpáticos são as certezas finais e inegáveis que me puxam para perto de ti.
08/01/2009
Saudade
saudade
sau.da.de
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica que faz pesar o peito e os ponteiros relógio, fazendo dos dias muito compridos. 2 Vontade desenfreada de tornar a vê-la(o), beijar, abraçar, morder e falar todas as loucuras e besteiras que vêm na cabeça. 3 Sentimento sorrateiro que lhe ataca quando ouve alguma música ou olha para algo que a(o) lembre. 4 Verificação excessiva e exagerada de instrumentos como o relógio, calendário, caixa de e-mails, celular e fotos. 5 Sentir uma verdadeira falta, um buraco nos seus dias. 6 Vontade de nunca mais deixa-la(o) partir para muito longe por muito tempo. 7 Necessidade de poder fazer cócegas e carinhos numa tarde vazia.
sau.da.de
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica que faz pesar o peito e os ponteiros relógio, fazendo dos dias muito compridos. 2 Vontade desenfreada de tornar a vê-la(o), beijar, abraçar, morder e falar todas as loucuras e besteiras que vêm na cabeça. 3 Sentimento sorrateiro que lhe ataca quando ouve alguma música ou olha para algo que a(o) lembre. 4 Verificação excessiva e exagerada de instrumentos como o relógio, calendário, caixa de e-mails, celular e fotos. 5 Sentir uma verdadeira falta, um buraco nos seus dias. 6 Vontade de nunca mais deixa-la(o) partir para muito longe por muito tempo. 7 Necessidade de poder fazer cócegas e carinhos numa tarde vazia.
30/12/2008
Páginas Rasgadas (Título gasto...)
Em meio à lágrimas e a risos de euforia,
rasguei essas páginas de vida!
Eu rasgo as páginas e logo as colo
pedaços unidos com cicatrizes
Rasgo também o peito cheio
de coisas docemente exageradas
Dono de palavras esfareladas
Procuro me esconder.
rasguei essas páginas de vida!
Eu rasgo as páginas e logo as colo
pedaços unidos com cicatrizes
Rasgo também o peito cheio
de coisas docemente exageradas
Dono de palavras esfareladas
Procuro me esconder.
28/12/2008
Pêlos Céus!
Muitas vezes eu me assusto quando olho para mim e vejo algo diferente. Sério. E isso acontece muito quando eu acabo de tomar banho. E aconteceu de novo.
Eu estava lá me enxugando com a minha toalha quentinha que acabara de sair do sol e então eu me deparo com um pêlo infeliz que estava muito afastado do centro do meu peito. E quando eu ví esse infeliz por lá, logo pensei:
"Ferrou-se! Ele migrou pra lá só para levar outros comparsas com ele e povoar essa outra parte do meu jovem peito com outros pelos. Céus!"
Mas depois, quando me acalmei, eu percebi que um problema muito maior estava por trás disso tudo:
"Puta que pariu! Eu estou crescendo! Tô ficando velho! Que bosta!"
E então vem aquele sentimento melancólico no peito (literalmente) e você fica pensando que vai morrer e pior: Que seu desempenho sexual vai "acalmar" quando você ficar velho. E então vem aquele desespero dos meus hormônios adolescentes, promovendo rebeliões de pensamentos em mim. Veja só o que um mísero pêlo faz com a gente.
Acho que eu ficaria deprê mesmo se um desse migrasse para as minhas costas. Acho que eu ate precisaria de terapia. Um amigo meu que faz medicina falou que é possível que eu fique careca! Olha só que droga! Ele falou algo sobre a testosterona e etc.
E então é isso. Eu fico feliz que hoje exista depilação e "terapias" que fazem até os vovos parecerem garotões.
Eu estava lá me enxugando com a minha toalha quentinha que acabara de sair do sol e então eu me deparo com um pêlo infeliz que estava muito afastado do centro do meu peito. E quando eu ví esse infeliz por lá, logo pensei:
"Ferrou-se! Ele migrou pra lá só para levar outros comparsas com ele e povoar essa outra parte do meu jovem peito com outros pelos. Céus!"
Mas depois, quando me acalmei, eu percebi que um problema muito maior estava por trás disso tudo:
"Puta que pariu! Eu estou crescendo! Tô ficando velho! Que bosta!"
E então vem aquele sentimento melancólico no peito (literalmente) e você fica pensando que vai morrer e pior: Que seu desempenho sexual vai "acalmar" quando você ficar velho. E então vem aquele desespero dos meus hormônios adolescentes, promovendo rebeliões de pensamentos em mim. Veja só o que um mísero pêlo faz com a gente.
Acho que eu ficaria deprê mesmo se um desse migrasse para as minhas costas. Acho que eu ate precisaria de terapia. Um amigo meu que faz medicina falou que é possível que eu fique careca! Olha só que droga! Ele falou algo sobre a testosterona e etc.
E então é isso. Eu fico feliz que hoje exista depilação e "terapias" que fazem até os vovos parecerem garotões.
17/12/2008
Verdadeira Intimidade
Ao menor sinal da verdadeira intimidade, seja ela de amigo ou amante, suas ilusões irão cair, uma a uma, derrubadas por este "invasor permitido". Uma vez intimo, abre-te portas pesadas, enferrujadas e esquecidas. Ao menor sinal da verdadeira intimidade, seja ela de cão ou criança, já não és mais responsável por somente por você, mas também pelos teus intimos, pessoas de sua adoração. E vice-e-versa, se é que versa-se tais coisas.
Ao menor sinal de tal intimidade, te sentiras confuso, aflito, preocupado, ansioso, e tudo mais, com problemas que nem são seus. Problemas que você nunca imaginou ter, não tem, mas que, mesmo assim, te afetam, te sobrecarregam e te deixam tão mal quanto se atingissem sua própria carne. Te cansam como se fossem alojados em suas costas. E não há só essa batalha! O problema da intimidade vai além...
Mas veja lá, em tudo na vida, existe tal dualidade! E a intimidade não é diferente, infeliz amigo. O infortúnio foram todas, ou quase todas palavras falarem da parte trabalhosa do árduo ofício do íntimo. E que seria do homem sem o trabalho? Essas dualidades da vida não são obscuras nem luminosas. São apenas... diferentes. Adiante.
Vai frustrar-te com o outro, vai querer ter o comando, quando nada pode fazer. Vai querer conduzir, confortar e batalhar, junto. Mas não pode. A intimidade nos dá a idéia de possuirmos tais poderes. Poderes divinos e vagos.
Ao menor sinal de intimidade, verdadeira intimidade, devemos amar. Amar com intimidade verdadeira, poder também divino, mas acessível a nós, se assim desejarmos. É preciso ser prudente, paciente e corajoso. Seus desejos mais profundos irão se satisfazer quando a pessoa intima em questão, a pessoa que te preocupa e que te cativa ter pernas fortes e uma mente corajosa. Aí sim terá feito sua parte. De resto, não te culpas, e abraça-o.
Ao menor sinal de tal intimidade, te sentiras confuso, aflito, preocupado, ansioso, e tudo mais, com problemas que nem são seus. Problemas que você nunca imaginou ter, não tem, mas que, mesmo assim, te afetam, te sobrecarregam e te deixam tão mal quanto se atingissem sua própria carne. Te cansam como se fossem alojados em suas costas. E não há só essa batalha! O problema da intimidade vai além...
Mas veja lá, em tudo na vida, existe tal dualidade! E a intimidade não é diferente, infeliz amigo. O infortúnio foram todas, ou quase todas palavras falarem da parte trabalhosa do árduo ofício do íntimo. E que seria do homem sem o trabalho? Essas dualidades da vida não são obscuras nem luminosas. São apenas... diferentes. Adiante.
Vai frustrar-te com o outro, vai querer ter o comando, quando nada pode fazer. Vai querer conduzir, confortar e batalhar, junto. Mas não pode. A intimidade nos dá a idéia de possuirmos tais poderes. Poderes divinos e vagos.
Ao menor sinal de intimidade, verdadeira intimidade, devemos amar. Amar com intimidade verdadeira, poder também divino, mas acessível a nós, se assim desejarmos. É preciso ser prudente, paciente e corajoso. Seus desejos mais profundos irão se satisfazer quando a pessoa intima em questão, a pessoa que te preocupa e que te cativa ter pernas fortes e uma mente corajosa. Aí sim terá feito sua parte. De resto, não te culpas, e abraça-o.
09/12/2008
Canela

Lá menor em leves golpes. Vem devagar e acrescendo num tom cortante. O lá menor parece triste e misterioso. Logo alterna com sua forma sustenida, n’um vai e vem inebriante, fazendo esquecer sua forma triste e incita ao mistério e voluptuosidade.
Lá menor e mi, num ritmo quebrado. O mi, que é grave e sensual, parece acalentar o lá menor, embalando ainda mais o ritmo, como um nobre cavalheiro. O casal de notas ameniza o caos no braço do violão vermelho.
A madeira rubra, antiga e gasta, treme retumbando cada nota que os dedos abocanham nas seis cordas. Deslizam nas suas dezenove casas, também gastas pelo tempo. Se tal seqüência de notas tivesse um cheiro, este seria agridoce, como os condimentos do oriente médio.
O ritmo acelera. Palmas e sapateados cruzam-se, misturando-se com o cheiro das flores de canela e essências excêntricas, que são queimadas em lâmpadas de azeite. Os vestidos vermelhos de várias camadas rodopiam, e vez ou outra são carregados de um lado para o outro pelas mãos de quem os veste. Mãos com unhas afogueadas.
Os pés continuam batendo no assoalho de madeira com firmeza, ecoando ao longo da grande sala, marcando cada contratempo com precisão. Pés e mãos em harmonia giram e contornam formas sutis no ar, enquanto o ritmo quebra e volta à tona, rasgando os ares andaluzos. Subitamente a música pára, e os vestidos derramam-se pelo chão lentamente, conforme os corpos vão se deitando em cima das próprias pernas, em movimentos ternos.
28/11/2008
Chão de Madeira

O colorido e o preto e branco, lentamente, misturavam-se. Beijou-a. Colorido, trazia uma nova perspectiva; uma nova esperança. Quente, recobria o seu pequeno corpo com os músculos palpitantes, papel que até agora fora desempenhado pelos agradáveis e coloridos cobertores, que agora se encontravam desarrumados.
A amargura, tão viva no recente telefonema mal-educado, agora parecia diluir-se. Saía de todos os seu poros, pouco a pouco, conforme se arrepiava. Aos poucos o colorido mancha o preto e branco, com leves pinceladas de pele contra pele. Os corpos pintam-se, devagar.
Um estrondo repentino. Barulho seco e curto. O cobertor continua na cama, ainda desarrumado, mas triunfante. O curto silêncio é engolido por risadas. Inocentes risadas. Eles estão no chão, caídos. A mistura de cores se completa.
Os tacos de madeira sentiram sua cera diluir-se com o suor, e resmungam, por minutos que pareciam inacabavéis. Há um suspiro. Então outro. Agora silêncio, e um cheiro que só eles sentiram. Ficaram ali, não importa por quanto tempo, pois parecia infinito.
Rua das Palmeiras, 102, São Paulo - SP, Brasil /

Olá Luísa. Tudo bem?
Espero que sim.
Não se assuste com o remetente desta carta, eu realmente estou na Itália.
Não se faça de desentendida... Não finja uma falsa surpresa, Luísa. Não estou vendo seu rosto enquanto lê. Sem máscaras; não há mais necessidade de usá-las, não há a quem enganar.
Eu descobri tudo. E já faz um tempo. Só estava esperando meu passaporte sair.
Tomei a liberdade de pegar meus discos da Billie Holiday, mas acabei esquecendo (de propósito) os discos do Bee Gees e algumas cuecas, que julguei velhas.
Creio que meu desaparecimento repentino tenha lhe causado surpresa.
Enquanto eu deslizava pelas estreitas ruas de Gênova, numa velha e agradável bicicleta alugada, pude sentir toda a liberdade que me foi privada durante esses anos; anos de seu falso ciúmes, e de minha mania de tentar ameniza-lo com meu romantismo.
Passando por Roma eu pude admirar o Coliseu, imponente, mas já gasto pelo tempo, com algumas partes despedaçadas. O seu formato redondo lembrou a nossa aliança, que está na segunda gaveta do criado-mudo. Pode ficar com ela.
Aproveitei para visitar a Fontana Di Trevi. A beleza das estátuas que adornam-na é hipnotizante! Joguei algumas moedas para fazer desejos, como é de costume nesta fonte. Uma das moedas joguei em seu nome, desejando que tenha uma vida feliz.
Escrevo esta carta em Veneza. Estou em um restaurante móvel que flutua sob o Canal Grande. Não é a toa que dizem que Veneza é romântica! Os passeios de barco incitam o verdadeiro romance e o cheiro da comida lembra paixão e calor, coisas que eu sempre procurei e continuo a procurar.
Estou pronto para começar tudo de novo.
Sem você.
Adeus, Luísa
Vítor.
26/11/2008
Peixes, Aquários, Geladeiras e Microondas

O ruído do microondas me deixou surdo. Ele se mistura com o barulho da geladeira e do aquário, que é um pequeno pedaço de mar, que engana os peixes. Eles não sabem que estão num aquário por que a memória deles só dura três segundos. Mas mesmo assim eles parecem me olhar, tristes e melancólicos. Outro dia um peixe pulou do aquário. A princípio eu achei que fosse um acidente, mas agora eu penso que o peixe tentou suicídio. É sério. Foi uma decisão tomada em segundos.
Eu estou na cozinha, com o barulho do microondas, da geladeira, e do motorzinho do aquário. A minha família toda está na sala, assistindo algo na televisão nova de proporções faraônicas. A televisão está alta, e os peixes parecem incomodados com isso. Peixes não devem gostar de televisões, por que televisões lembram aquários. Mas aquários com pessoas dentro, invés de peixes. É complicado.
Antes o aquário estava na sala, numa mesinha. Mas minha mãe tirou, acho que ela iria por algum enfeite de natal ou alguma coisa do tipo. Pena que nenhum peixe vai saber da incrível mudança, por conta de sua curta memória.
Um aquário é um pequeno pedaço de mar que engana os peixes, como eu já falei. Não é diferente das nossas casas, nem dos nossos bairros. Eu só queria ter a memória de três segundos, aí eu não cairia numa rotina. Os peixes nunca têm rotina, por que eles não têm tempo para isso. Eu também não me preocuparia, a não ser por três segundos.
Antes dos peixes quem habitava a cozinha (além da geladeira e do microondas) era o Papagaio. Eu conversava com ele, mas ele parecia não gostar de mim, não pela minha aparência, mas acho que pelas condições em que ele se encontrava. Ao contrário dos peixes ele não teve a sorte de uma memória de segundos ou de ser enganado com um pequeno pedaço de algum lugar. Teve o azar de ter uma boa memória, e azar ainda maior de conseguir repetir as merdas que as pessoas falam para ele. Eu trocava algumas palavras com ele, até que decidiram colocá-lo no quintal. Agora é raro vê-lo, por que não vou muito ao quintal.
Fico pensando, será que algum dia vão me colocar na cozinha também, no lugar dos peixes? As coisas simplesmente são assim?
18/11/2008
Morte?

-Ei você...
Já sentiu um vazio se instalar dentro do peito, sorrateiro e covarde?
Já sacrificou horas de pensamentos vazios querendo que estes desaguem n'um abraço, verdadeiro abraço, por longo tempo?
-Eu sou a morte. Também sou vazio, mas não sorrateira ou covarde. Criar o vazio foi preciso, pois a cada tarefa sou tristeza.
Eu sou o próprio sacrifício, que te aperta com um abraço, por uma eternidade, se assim quiser.
-Teus braços são frios, e tuas roupas rubras não esquentam. De ti não quero abraço. Sua pele macilenta arrepia-me! Suo frio diante do seu olhar tranqüilo... Saia daqui!
Deixa-me em paz!
Lembrete
16/11/2008
14/11/2008
Sem Título e Vergonha

O metrô vem sorrateiro, com seu rugido profundo. Engole-me com suas portas automáticas, me transportando como uma sardinha infeliz. Gasto todos os meus trocados para andar por debaixo da terra e por cima de ruas. Gasto minhas horas dentro desta lata de ferro, gasto meus olhos em túneis que não têm paisagens. Túneis quase sempre escuros, que dão a sensação certa da incerteza, a eterna sensação do sentir-se perdido. Com a esperança de chegar a algum lugar, esperamos, nessa imensa e comprida sala de espera.
E tudo isso, garota, para chegar à sua casa, e te beijar, escondido, contra paredes, em cima de mesas, rolando pelo chão encerado de todos aqueles cômodos, desde que estejam vazios. Toda essa aventura angustiante desagua na segurança destes olhos serenos e amendoados. Teus olhos são duas fontes que me encharcam todo o corpo.
A poluição de todas as ruas se torna distante quando te pego pela cintura e afundo meu rosto exaurido pelo sol em seu pequeno pescoço, que é tão branco quanto marfim e cheio de pequenas pintas, bem como seu corpo inteiro.
E por falar em corpo, lembro de teu cheiro, que é presente em toda sua pequena extensão, mesmo quando não usa perfume. Esse cheiro é teu e só teu. Quando o sinto, minhas roupas pensam em suicídio, e simplesmente rasgam-se, em tremenda euforia.
08/11/2008
Perda Irreparável: A Saga de um Pequeno Suicida
Era uma tarde de sábado, com aquele sol irritante e ruas cheias. Eu estava saindo de casa, para ver minha garota.
Então peguei uma bela fila no metrô e não tão logo assim entrei em um vagão. Como me é de costume, resolvi pegar um livro (que sempre levo comigo) para ler durante a viagem. Antes que eu pudesse abri-lo, tive um mau presságio seguido de um terrível arrepio. Comecei a suar frio, mas logo passou, então ri-me do susto bobo, que logo seria atribuído a alguma causa infundada.
O trem começou a deslizar sobre os trilhos, com seu barulho profundo. Então, definitivamente decidi pegar o livro para ler. Peguei-o com as duas mão, e meu intento era abri-lo como sempre faço: Usar a palma das mãos para apoia-lo e os meus polegares oara abrir no capítulo em que parei.
Mas assim que fiz o mínimo movimento com as mãos, algo um tanto ridículo aconteceu: Meu polegar direito caiu no chão e rolou pelo vagão, devido ao movimento do trem.
Ninguém viu meu dedo opositor rolando pelo chão: As pessoas estavam ocupadas demais para socorre-lo. Quase que uma senhora pisa em cima do pobre dedo, que escapou por pouco, quando foi chutado acidentalmente por algum outro pé, de sapatados engraxados.
Eu não pude fazer nada. Não pude levantar levantar para agarrar de volta meu querido dedo, pois havia uma moça ao meu lado, impedindo minha passagem com suas pernas. Sou muito envergonhado, não conseguiria pedir licença, nem pedir a alguém para pegá-lo para mim.
Quando finalmente a moça se levantou, estive livre para passar. Ao me aproximar do dedo desertor, o impacto do trem parando o fez rolar para os pés de um pequeno garoto, que pegou-o e pôs na boca, roendo minha unha. Estava com a mãe, mas esta estava se maquiando e não viu.
O mais horripilante de tudo isso é que eu ainda sentia tudo o que se passava com o meu polegar, como se ainda estivesse em minha mão e fizesse parte de mim.
Pensei seriamente em arrancar meu tão útil dedo opositor da boca daquele garoto, mas achei melhor evitar um escândalo. Além do mais, o garoto parecia tão entretido em sua brincadeira que não me senti no direito de pará-lo.
Esperei algum tempo, com a esperança de o garoto largar meu dedo pelo chão. Isso aconteceu quase que simultaneamente com as portas do trem se abrindo. Dei-me conta que já estava na estação em que deveria descer.
Encontrei-me em uma terrível escolha: Ou pegava de volta meu dedão ou desembarcava na estação certa, para seguir meu caminho normalmente. Não pensei duas vezes: Quando o sinal de fechamento das portas soou, saí correndo e consegui passar pelas portas por um triz. Quase perco minha estação. Daria um grande trabalho desembarcar em outra e voltar a pé.
Hoje vivo sem o polegar direito. Continuei sentindo tudo o que se passava com ele por terríveis 6 meses, e isso acabou quando moscas ou peixes o comeram por inteiro. Creio que foi isso que aconteceu pelas dores que senti, que pareciam pequenas mordidas.
Então peguei uma bela fila no metrô e não tão logo assim entrei em um vagão. Como me é de costume, resolvi pegar um livro (que sempre levo comigo) para ler durante a viagem. Antes que eu pudesse abri-lo, tive um mau presságio seguido de um terrível arrepio. Comecei a suar frio, mas logo passou, então ri-me do susto bobo, que logo seria atribuído a alguma causa infundada.
O trem começou a deslizar sobre os trilhos, com seu barulho profundo. Então, definitivamente decidi pegar o livro para ler. Peguei-o com as duas mão, e meu intento era abri-lo como sempre faço: Usar a palma das mãos para apoia-lo e os meus polegares oara abrir no capítulo em que parei.
Mas assim que fiz o mínimo movimento com as mãos, algo um tanto ridículo aconteceu: Meu polegar direito caiu no chão e rolou pelo vagão, devido ao movimento do trem.
Ninguém viu meu dedo opositor rolando pelo chão: As pessoas estavam ocupadas demais para socorre-lo. Quase que uma senhora pisa em cima do pobre dedo, que escapou por pouco, quando foi chutado acidentalmente por algum outro pé, de sapatados engraxados.
Eu não pude fazer nada. Não pude levantar levantar para agarrar de volta meu querido dedo, pois havia uma moça ao meu lado, impedindo minha passagem com suas pernas. Sou muito envergonhado, não conseguiria pedir licença, nem pedir a alguém para pegá-lo para mim.
Quando finalmente a moça se levantou, estive livre para passar. Ao me aproximar do dedo desertor, o impacto do trem parando o fez rolar para os pés de um pequeno garoto, que pegou-o e pôs na boca, roendo minha unha. Estava com a mãe, mas esta estava se maquiando e não viu.
O mais horripilante de tudo isso é que eu ainda sentia tudo o que se passava com o meu polegar, como se ainda estivesse em minha mão e fizesse parte de mim.
Pensei seriamente em arrancar meu tão útil dedo opositor da boca daquele garoto, mas achei melhor evitar um escândalo. Além do mais, o garoto parecia tão entretido em sua brincadeira que não me senti no direito de pará-lo.
Esperei algum tempo, com a esperança de o garoto largar meu dedo pelo chão. Isso aconteceu quase que simultaneamente com as portas do trem se abrindo. Dei-me conta que já estava na estação em que deveria descer.
Encontrei-me em uma terrível escolha: Ou pegava de volta meu dedão ou desembarcava na estação certa, para seguir meu caminho normalmente. Não pensei duas vezes: Quando o sinal de fechamento das portas soou, saí correndo e consegui passar pelas portas por um triz. Quase perco minha estação. Daria um grande trabalho desembarcar em outra e voltar a pé.
Hoje vivo sem o polegar direito. Continuei sentindo tudo o que se passava com ele por terríveis 6 meses, e isso acabou quando moscas ou peixes o comeram por inteiro. Creio que foi isso que aconteceu pelas dores que senti, que pareciam pequenas mordidas.
01/11/2008
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