aviso

neste espaço público existe tudo o que foi extraído de mais sórdido e verdadeiro em mim

usei palavras que não entendo totalmente

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real
escrevi com a vontade inegável de um caroço de abacate

14/10/2019

Por favor, motor



Eu subi no edifício Martinelli,
comprei uma lixeira de abrir com o pé em Santana
me perdi na Parada Inglesa.
Fui operado do apêndice na Voluntários da Pátria
da retina na Cantareira
do quinto metacarpo no Campo Limpo ou em Santo Amaro
dei todo meu amor e saliva em Pirituba
chorei em Jaçanã, Santa Luzia, São Thomé das Letras, Jardim Peri e Ubatuba

então que se faça uma passarela na avenida de cada esquina
de cada lugar
para que os carros nunca parem de passar
e enfim nos deixem em paz

17/09/2019

aos 27 anos
renasço como observador
pois todas as vidas são secretas

os gestos dos outros:
como bebem água, batem as cinzas do cigarro, se iludem
transam e ficam aflitos, se conformam
perguntam e respondem sozinhos

10/07/2019

Pampulha


eu chorei tomando banho
muito longe do nosso bairro
pois foi onde e só onde achei espaço
para caber tudo quanto se acumulou em mim

esses anos todos só couberam
nos 575 km que separam Jaçanã de Belo Horizonte
e finalmente pude transbordar
deixar tudo fluir na terra
cair como água de um cano

minhas lágrimas correm os encanamentos
e espero que acabem na Lagoa da Pampulha
nadando entre as garças e os jacarés

assim deixo a minha mais verdadeira emoção morando em Minas
uma das únicas coisas que tive certeza na vida
esse amor que agora se liberta um pouco mais

na minha frente meus amigos são um espelho:
amor que ficou depois de anos
penso que esse fio sempre vai estar aqui
tocando como cordas entre nós que amamos um dia

"Eu tenho medo mesmo é de não sentir nada"
e é verdade
esse fio faz chegarem as respostas
para as perguntas mais necessárias

20/06/2019

Você é performance e tudo bem

Antes mesmo de ter alguma idade para, eu já sonhava com o dia em que eu poderia ser nostálgico com propriedade. Olhar fotografias, cartas e lembrancinhas e assim me debruçar sobre uma época, pessoa e lugar. Lágrimas escorreriam e isso seria muito bonito. Sempre gostei de cenas montadas como essa, exageradamente emocionais e precisamente desempenhadas, com cenário, trilha sonora e tudo.
Não é enganação ou falsidade de qualquer tipo. É teatro, personagem e brecha na rotina para que o sentimento aconteça com totalidade em sua grande hora. Palco e plateia é só o que qualquer sentimentozinho precisa. Finda a atuação as luzes apagam e só assim poderemos dormir outra vez.
Vai me dizer você que, no alto da sua anonimidade, nunca planejou, ensaiou e executou uma cena, uma performance da vida real? Aquela discussão que precisou travar com uma pessoa amada,  o dia que quis propositalmente ficar feliz ou triste só para sentir algo específico. Isso não é maquiavélico, é questão de percepção da própria narrativa, de se projetar no mundo.

18/06/2019

eu parei pra olhar uma grande máquina
que trabalhava algo nos canos da Sabesp

fiquei bem do lado dela,
senti o motor que fazia tremer todo meu peito
e formigava as pontinhas dos meus dedos

um cano da máquina jogava muita água no asfalto
água boa, sem cheiro

então fiquei pensando
nas engrenagens que nos movem
em tanta água que correu e correrá
nesses nossos corpos

olhei para o operário
e ele olhou para mim
com o olho de quem entende
e que entendia há muito
a contemplação às máquinas,
águas e asfaltos


19/05/2019

Abraxas

quero ver você sendo

errando
mas sendo
colocando a mão no mundo,
enfiando os dedos nas coisas
e nas vidas das pessoas


vai e grita assim:
estou aqui
existindo na corrente
jogado no inevitável
no avesso do controle
Não sei porra,
mas tô aqui de joelhos
o peito rasgado de tão aberto

e entregue

entregue não num altar, não num lugar de santidades,
mas num lugar de carne e osso, de suor e pedra
um lugar de gente, de sêmen
o cheiro de tabaco que mora atrás das orelhas

esperando entrar pra dentro, ordenadamente, todo o caos:
o toque da língua infinita do aleatório

28/03/2019

você me olha como aquelas pessoas limpinhas e alinhadas comprando um sofá
em uma daquelas lojas com mil lâmpadas hiper fortes de centro cirúrgic
ah-ham, ah-ham, ah-ham...

04/03/2019

atrito industrial



me corta igual máquina
com os movimentos de 90 e 45 graus
e o raio quente que sai de dentro da sua língua
de cada dedo da mão
e do pé

nosso atrito é industrial

depois que eu estiver todo quadradinho
recortado em você
sem saber meu nome e onde estou
só coloca minha cabeça no seu peito
e deixa eu ouvir sua engrenagem batendo
tec tec tec tec shhhh tec tec shhhhhh

22/02/2019

Olho de Régua

ser uma pessoa contemplativa
olhar como quem olha a paisagem, a fotografia
nunca interpretar: só registrar e sentir o que há para se registrar e sentir


ser justo consigo mesmo
não exigir nada além do que pode ser medido na régua do justo e do cabível de cada situação, de cada olhar, de cada cigarro, de cada cabelo, de cada rua, de cada lugar, de cada cheiro, de cada gente e de cada pessoa
nada mais além do que se mostra


contemplação não é passividade
mas estar atento nas janelas:
do ônibus, das casas, dos trems e dos prédios lá longe com seus quadradinhos brilhantes
e perceber os movimentos minúsculos da vida e dos corpos
atento em tudo que esbarra em algo que está dentro de nós,
sempre buscando o que faz cócegas atrás do nosso pescoço,
aquela arrepiadinha do toque novo

05/12/2018

somos malditos nós que não arrumamos nada
não varremos o chão, não organizamos as velhas gavetas
e nem arrancamos as pessoas das nossas vidas

que vaidade ridícula

somos delicadamente covardes; alheios
nossas mãos tão macias e limpas
incapazes de podar
e assim viver na atmosfera saturada de uma estufa social
uma confusão de plantas-gente,
uma bagunça de pessoas-objeto espalhadas debaixo da cama

e tropeçamos, de novo, até quando?

31/08/2018

Levanta-te

Aos trinta anos entrou num bar qualquer e comprou seu primeiro maço de cigarros.
- Opa, beleza?, - Beleza! e coçava a calva da cabeça ao passar os olhos pelas marcas. Para melhor decidir pediu para ver um ou outro mais de perto. Saltou um "CÂNCER!" em preto e amarelo de uma das embalagens colocadas sobre o balcão. O atendente se desculpou, visivelmente embaraçado pelo anúncio fúnebre e então virou a embalagem pra baixo rapidamente. Agora sim o rótulo certo e que convinha: Lucky Strike, embalagem colorida.

- Me vê um desses, disse o aventureiro apontando para a caixinha. Caixinha não! Maço. Tinha a segurança plástica dos amadores. Assertivo além da conta e teatral. 

Isqueiro já tinha, pois tudo foi antes planejado. Fumar um cigarro podia ser coisa pouca, mas ser quem nunca se foi? Isso era um gozo completo. Ele era uma pessoa das normatividades, do protocolo social e de comer uma laranja por dia para não gripar. Ser outra pessoa, mesmo que fingindo, é o esporte preferido da humanidade, daí o ritual aqui descrito. Impulso tardio de adolescente? Não, mas se sim, tudo bem, pois ele sentiu a alegria de quem faz algo pela primeira vez depois de muito tempo.

Para conferir ar cinematográfico ao acontecimento, pensou em fazer a pé o caminho usual do ônibus que o levava do trabalho para casa. Tinha a mania de catalogar na cabeça lugares comuns que passava no dia a dia e que, por algum motivo banal, gostava.. Até dava nomes diferentes para ruas, avenidas e prasças. "Rua das Árvores" era o nome inventado desta onde agora estava. Sabia que o nome era bobo e ria de si mesmo ao pensar nele.

De passo calmo ia estranhando o volume quadrado e pontudo. Nesses bolsos nunca passaram nicotina, alcatrão e outras 4.700 substâncias tóxicas. Pensar isso era excitante e um bom começo para algo grandioso. Abriu o difícil lacre do maço com a delicadeza de uma máquina industrial e colocou o cigarro entre os dedos inábeis. Acendeu e sugou apertado como se fosse um canudinho. Tragou como havia lido na internet ontem de noite: "Puxe e prenda o ar como se fosse mergulhar dentro d'água, fazendo assim a fumaça preencher os pulmões".

E mergulhou. As mãos ficaram sem lugar certo, balançando como as de um menino. Não sabia se pegava o cigarro da boca, se o deixava lá, se colocava as mãos no bolso, se parava ou  se continuava a andar. Nessa pequena luta onde o corpo tenta se acostumar ao novo, foi fumando repetidamente por vários metros. Voltou o cúmplice para polegar e indicador. Parecia segurar um inseto vivo na ponta dos dedos. Bateu a cinza não se sabe com que dedos, mas com tamanha força que a cinza explodiu no ar. Então a luz do sol poente se encontrou com o mar de cinzas que reluziam como vidrinhos coloridos. Refletiu-se toda a cena numa gota de orvalho inventada e uma pomba grunhiu e as árvores chiaram: acontecia algo.

Foi tomado de uma sensação plácida e tonteante. Pensou que ia cair, pois a visão turvou um pouco. Tibum! Sentiu-se inserido no momento presente, o coração batia conforme o ponteiro dos segundos e foitomado de uma surpreendente consciência da pressão que seus pés exerciam no chão e das marcas que sua vida deixava no mundo e nas pessoas. Então esse era o efeito, o mundo se desacelerando. Sua tia, a clássica tia fumante, sempre falava ao ser questionada dos porquês do fumo "-Não acontece nada, é só por costume".

Quem passou os olhos até aqui percebe que a história foi indo com os mais sórdidos detalhes. Vejo-me então obrigado a relatar o desfecho animalesco da mesma, mas antes rogo ao charuto aceso do psicanalista que coloque algum luz sobre o ocorrido. Também já vou me desculpando por não usar termos científicos ou próprios da literatura médica ou biológica, visto que se assim o fizesse o sentido se perderia totalmente. Seguimos, pois: Eis que quando ele soprou a fumaça do último trago, foi vendo se desfazer a fumaça no ar. Algo o apertava por dentro. Olhou para baixo num gesto de muita surpresa e percebeu que seu pau estava muito duro.

09/05/2018

A realidade nunca esteve entre nós

tem um sino batendo
e eu desço a rua chegando do trabalho. Penso como sinos batendo são old-school e por quê todo mundo gosta de tudo que é old-school. Duas senhoras conversam em tom de confissão e inconformidade. Minhas chaves estão perdidas na mochila de novo: marmita, blusa, sapato, fone, óculos, livro, papel de bala, isqueiro e chave geladinha na minha mão.
tem um sino batendo
vejo a casa do vizinho mais idoso da rua. Ele tem uma hortinha com couve e taioba e usa um chapéu. Velhinho de chapéu numa horta: é uma meta. Perdão, perdão! É que tem um sino batendo e tudo fica assim agora, muito romântico e lindo e plástico: o sol alaranjado do fim da tarde se junta às badaladas. Estou rindo de tanta cafonice junta, estou achando maravilhoso estar dentro deste cartão-postal. Queria ter agora uma trilha sonora barata e uma frase de efeito:   "as badaladas da vida", "os sinos do porvir", "tem um sino batendo"

13/03/2018

Do Verde ao Amarelo


Quando os carros passarem sobre a faixa de pedestres, não me revoltarei. Esperarei indiferente e sem esperanças de um mundo que olhe a todos com igual consideração. Não denunciarei nenhuma injustiça, nem apartarei brigas. Já me sinto roer pelo embrutecimento das emoções. Apenas seguirei - sempre cego - os semáforos das coisas e das pessoas. Do verde ao amarelo, do vermelho ao verde. Obediente e infantil. A cada carnaval me sinto mais vazio dos confetes comuns, mais vazio de prazeres espontâneos. Vejo a senhora que vende pipoca colorida debaixo do sol e como sou egoísta com os meninos que pedem no farol: Não há solução para a vida.
O emaranhado de pontas soltas se acumula ano após ano. Seria inocente esperar que o meu peito não derramasse pelo chão. Derrama, mas não faz sequer uma poça decente. Brevemente úmido como um punhado de terra cozida! Tudo o que despertar vida, cor e arte será banido de mim. Restará o prazer da labuta sem fim, da burocracia, do protocolo, do sistema e de chorar escondido no banheiro.
Sinto que esqueci de tudo o que gostaria de fazer. Regulei tanto o meu modo de agir e ser, medi tanto cada palavra que falei, cada gesto! Fui omisso a mim e me perdi. Outro dia procurei a ponta da fita adesiva com a unha e acabei lembrando da minha história: onde larguei o primeiro passo de todos os meus sonhos? Fui tão alheio que me deixei levar. Covarde. Covarde! Flutuo sobre o grande e chato mar das sensações imediatas, dos prazeres fáceis. Incapaz de planejar uma excursão até a padaria da esquina, incapaz de dar cabo de qualquer demanda pessoal! Inapto para carregar o bilhete de ônibus, mas capaz de pensar sobre a cosmologia que deveria ligar tudo a todos e esses a todas as coisas do mundo.
Fecha o semáforo novamente. O mundo volta invicto com a mesma força das máquinas calculadoras: inquestionável, invencível. Aparece na minha frente, o mundo e nos olhamos um ao outro. Mesmo com toda essa tímida poça de alma que escorreu pelos meus pés, a ordem social me faz atravessar a avenida.

06/02/2018

Apago

Largo pedacinhos de mim por todo o percurso feito. Sou uma borracha escolar esfregada fortemente contra o chão. Assopro os farelos e, cada vez menor, sigo.

22/01/2018

Sou Chão de Plantar


Pelado na sua frente, mas dentro de roupas. Abro os ouvidos, dilato as narinas pra ouvir os detalhes mais bobos da sua vida. Você é qualquer pessoa. Toda e qualquer pessoa me basta e me cabe. Me adapto ao assunto, ao clima, visto os figurinos dos interlocutores para brincar de vida. 
Não me sinto falso, volúvel ou plástico! Sinto-me "possível". Extremamente possível, aberto, suspenso de certezas tão inúteis. Quero as pessoas inteiras. Arrancar frases que saem trêmulas e aliviam ombros, que dão vergonha e medo: que libertam. Ser o solo que permite o brotar de sementes alheias que estavam adormecidas.
Lamber a liberdade que sai da língua. O verbo é o poder, afinal de contas! Vamos inventar nossas narrativas, fazer do dia morto um realismo fantástico, vamos pichar as frases mais desconcertantes nas testas dos insensíveis e construir gozo do sórdido, do pó! Gritar a alma pra fora, nos confessar ao mundo todo.

02/01/2018

Sofrências de Amigo

Não se acaba uma amizade ou qualquer relação sem um vigoroso vômito das quinquilharias do passado. As pessoas põe pontos finais nas pessoas:
Os refinados preferem uma estocada seca e indireta ao matar a relação: Planejam, executam.
Os místicos simplesmente somem sem dar pistas: Puff! Que coragem!
Os neutros fazem mil teatros: se fazem fisicamente presentes, mas de forma tão plástica que dão até vergonha em quem vê.

Começa aqui minha carta. Parece dor de corno, mas é simplesmente o atestado de uma amizade longa que acabou:
Mudar de hábitos, mudar de pessoas. Nossa amizade não tem mais atmosfera para existir. Seríamos, nosso grupinho de sempre, um bando de pseudo-nostálgicos conversando sobre os dias em que tínhamos algo em comum?
Você está certo de terminar essa amizade, mas precisava ser tão cruel com uma relação já agonizante? Precisava desprezar o que de mim você não conhecia e não quis conhecer! Rejeitou tudo de novo que eu quis te mostrar com carinho e empolgação.
Quando decidi te olhar de novo, te re-olhar, deixei de lado aquela atmosfera construída e romantizada do passado. Olhei e vi você no hoje, no agora. Vi a sola do seu sapato! Vi chutes delicados e contínuos que eu fazia questão de não perceber. Ignorei seu cinismo de forma lamentável. Que migalhas, que absurdo.
Cheguei ao ponto de falar que amava você antes de uma grave cirurgia minha. Foi uma tentativa infantil de demonstrar minha intenção sempre reparadora. Declarar amor a uma pessoa tão fechada, tão calculista como você. Que tarefa desconcertante! Você sempre rígido me deu resposta tácita e escorregadia: "Não se preocupe com isso, pense na sua saúde". Foi um conselho sincero, eu sei. "Isso", esse companheirismo nosso, era para você uma causa perdida - ou melhor: "Investimento de tempo desnecessário", para melhor combinar.
Você provavelmente nunca lerá isso. Iremos nos encontrar em lugares e riremos da mesma piada que não gostaríamos de ter rido. Todo mundo achará que nada mudou, mas nós dois saberemos nossos limites. 

04/12/2017

CID

Enquanto eu passava pela beira da favela, não consegui me sentir feliz ao ver os meninos empinando pipa. Havia um buraco no fundo dos meus olhos. Nítido e tão real quanto os buracos de bala. Não era o buraco metafísico que as poetisas carregam; não era o buraco sem fim dos olhos de um depressivo. Este buraco - meu buraco - tinha registro no Código Internacional de Doenças, CID 10 H35, e mais tarde teria sido diagnosticado pelo oftalmologista através de um exame de imagens tridimensionais, lasers e luzes.

Tornei-me um paciente. Tenho suado nas cadeiras dos consultórios! Ao acordar, testo a visão sempre. Não tenho medo de ter maiores perdas da claridade visual, mas temo todas as burocracias médicas e rituais cirúrgicos. Até o próximo exame de fundo de olho, sei que minha alma estará suspensa nas cordas bambas da ansiedade. Em meu lugar operará uma forma teatral de mim mesmo até que eu aceite a oportunidade do não-ver como uma experiência rica e única. 

14/11/2017

Papos no Escuro

-Cara, eu estava aqui pensando. Quando aqueles seus amigos comentam na sua foto te chamando de gay pra "zoar", pra fazer piadinha de "bróder", sabe? isso não te dá um vazio no fundo? Uma impressão de que você está mantendo laços com pessoas muito rasas e até meio maldosas, que acham que "gay" é motivo de vergonha e inferioridade?

-Kkkkk iiihhhhh bróther, que papo de viado da porra!!!

11/10/2017

Historinha de Dormir

nessa hora da madrugada
todos os ursinhos carinhosos já foram dormir
com seus eternos brilhinhos piscantes
e estrelinhas

os sonhos da pessoa comum adormeceram

nessa hora
e só ficaram as mentes restantes
acesas como fogueirinhas pequenas e solitárias
piscando bobagens, acendendo cigarros
roendo as unhas
de felicidade ou não.