27/11/2022

Muita Palavra (Diário de Escrita #1)

Tô fazendo um trabalho de psicologia sobre a escrita como ferramenta de elaboração do sofrimento e desenvolvimento de questões pessoais. Esse relato vai nesse sentido.

Me pego resistente ao encarar o papel, mesmo sabendo do benefício que trazem as palavras escritas.

Comecei um poema de amor que não consigo terminar
parece que sempre tá faltando algo, sabe? Vejo se tornar cada vez mais longo, cheio dos caminhos, figuras, passados e futuros e outras complicações.

Fico pensando se atravanco o amor botando muita palavra nele, como faço com a escrita.

Tem uma desafetuosa professora que me critica ao avaliar meus trabalhos: me chama de prolixo (“quem usa palavras em demasia ao falar ou escrever; que não sabe sintetizar o pensamento”, no dicionário.)

Apesar de ninguém gostar desta professora, e por motivos válidos de desdém profissional, eu gosto um pouco dela. Acho que a crítica que faz responde muitos problemas de pensamentos obsessivos e compulsivos que carrego, de poemas sem fim.