aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

02/03/2011

Alma na Garrafa



Há dias em que sou uma garrafa de vinho jogada no mar, deslizando. Dentro de mim apenas uma velha folha. Será que uma vida cabe numa folha?

Num dia preguiçoso eu esbarrei nuns pés bonitos, na beirada da praia de um sorriso fresco. Ela pegou a garrafa e destampou; Houve então um sorriso ou de decepção ou de esperança: A folha estava em branco. Então eu lhe disse:

-Ei garota! Escreva! Vamos... Escreva o que bem entender. A vida é tão curta e fina quanto esta folha.  Vamos! Só não me jogues no mar!

Então ela escreveu como nunca; escreveu sobre o amor.
Jogou-me no mar de novo, é verdade,
só que agora o mar era dentro
dela.

3 comentários:

  1. Simplesmente perfeito!

    O que eu acabei de ler é de uma perfeição do tamanho do próprio mar.

    Parabéns!

    http://paginas-em-branco-blog.blogspot.com/

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  2. Nossaaaaaa, que lindo texto, muito bom mesmo.

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  3. São muito poucos - 2 até agora - os poetas que me fazem chorar como criança ao soar de palavras em música perfeita. E para minha sorte, os dois estão vivos.

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