aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

06/11/2010

Texto Que Não Existe

Cabelos pretos, ela vem e senta em cima da minha mesa, sorrindo faceira; não me deixa escrever. Sou praticamente obrigado a largar a caneta e a folha, que voa para o chão, começo a rabiscar em sua pele com as tintas de um beijo e cada dedo vira um pincel dançando bêbado nas curvas desta fabulosa tela branca de olhos negros.
Rabisco em idiomas que não existem, com palavras que não devem ser e que nunca foram inventadas. Ela parece não se importar muito com a gravidade dos idiomas ou das palavras, pois continua com aquele sorriso meia lua e os olhos cerrados, como se imaginasse as histórias que conto no papel de seu corpo.