23/12/09

Mulher Dormindo Nua

No quarto de janela onde é sempre outono, os cabelos pretos estão esparramados na cama macia, cachos olorosos que dançam ao som da respiração.
O rosto fresco, de traços cortantes mesmo para uma vista insensível e calejada, faz com que se possa passar uma tarde inteira vendo-a dormir.
Passa os pés e pernas sob o lençol, que chia e treme em contato com a pele, bem como as folhas que farfalham lá fora.
E então esboça um sorriso quase invisível, misto de sono e fantasia, ameaça abrir os olhos e desiste com uma preguiça gostosa de se ver.
Agora se sabe por que nessa janela é sempre outono; não teve coragem de ir embora.

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