17/10/2008

Sobre Ela e Eu

E numa mordida, arrancar tua roupa toda. Tua orelha dança quando ouve minhas leves sílabas tônicas, que são derramadas ao pé de seu ouvido, com esplêndida devoção. Não sabemos mais onde estamos, e o nosso nome já não faz mais sentido. Só ouço beijos, estalos incertos, que parecem gotas ecoando em becos escuros e cheios de solidão. Somos só beijos e contamos segredos do corpo. Segredos que a cidade inteira inveja.
Uma inconseqüência adolescente me toma quando vejo essa pele rósea e macia, com o cheiro singular que não é do perfume. A pele exala os teus desejos, sendo eles os mesmos que os meus, e esses cheiros se cruzam no ar, justamente acima, abaixo e no meio de nós dois, e qualquer um pode perceber esse fenômeno, mesmo que se estivermos a metros de distância.
Porque e para que tantos obstáculos? Porque não entendem que é ainda tentação maior privar-me de ver-te ou falar-te?
Oh, saiba que minhas saudades vão muito além das dezenove horas, meus desejos além das vinte e duas, e meus sentimentos penetram a meia-noite, transbordando às dez horas da manhã.

4 comentários:

  1. Céus! Meu estilo de escrita está mais Romântico do que nunca...

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  2. Todos nós somos romanticos, o problema é essa "meleca" de vida capitalista que a gente vive que acaba com os sonhos, os sentimentos bons, o romance... (viajei legal agora... uhahuah)

    Abraço, se cuida...

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  3. Gabi, a namorada do Rafael7 de novembro de 2008 10:37

    Ohhh! [só pra dizer que fiz um comentário]

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  4. Muito bem representado os desejos do corpo, parabéns!

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