aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

20/11/2012

Dos Poemas Andarilhos


Meus poemas não são tão bons
para ficar agulhando as pessoas
ou nenhum outro tipo de costura

Não escreverei um “poema-remendo”
nem um “texto-de-retalhos” (para usar no inverno)
nem tecerei retaliações passadas

Meus poemas são como meninos de rua
sem rima, pai ou mãe
jogados por aí eles batem nas portas;
batem nas vidas procurando qualquer coisa:
um lar
ou um prato de sopa.

3 comentários:

  1. Nunca vi metapoema tão humilde. Vc se desculpa até pelo que escreve. Imagino q as garotas gostem desse cavalheirismo . É praticamente uma estratégia evolutiva ser diplomático. Eu entenderia sobre isso se não tivesse o coração tão ensanguentado. Vou lendo seu blog e vendo como ainda existe serenidade nas pessoas q sentem. Raro...

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    1. Sabe que os escritores antigos - até mesmo o Maquiavel! - usava dessa diplomacia e sempre assim se colocavam? É uma bela estratégia se humildar, mas eu sinto que essas tantas desculpas são uma tentativa louca de pensar essa serenidade poética nesses tempos de leitura tão rápida e informal.
      Jogo meus poemas aqui e até aparecer um leitor como você (quando o poema acha um lar, como achou em você!) é muito, mas muito tempo.

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  2. Sim. é por causa dessa humildade que Bandeira é meu poeta favorito. É bom se encontrar na antropologia dos outros, parece que por um instante somos salvos da mediocridade.

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