aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

09/02/2011

O Drama de Jonas

(Ao amigo Rubem Rocha)


Jonas era um garoto que colecionava xícaras. Porcelana, vidro, coloridas, Rei Leão, Tarzan.

Um dia Jonas quebrou uma xícara. E outra. E outra. E quebrou todas e chorou, pois naquele dia Jonas não conseguia entender.

Não tinha encontrado o café em cima da mesa, mas sim sua mãe, com os olhos abertos e frios como xícaras de café amanhecido, tombados no chão da cozinha.
A colher ainda na mão e o pote de açúcar tombado. O chão parecia um estranho mosaico.

Então Jonas pegou os seus extraordinários oito anos de vida junto com seus cacos coloridos (não os de xícara, mas agora os do coração) e teve que seguir.

Nunca mais conseguiu tomar café; não com os olhos secos.