aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

14/02/2010

Olhos-Café

Às vezes, lá pelas cinco e quarenta da tarde, eu olho pro café na mesa, ouvindo o tempo passar através do tic tac do relógio da cozinha. Fico ali parado por alguns instantes, me perguntando se é o café que está esfriando ou eu.
Quando chego a alguma conclusão mais ou menos aceitável o café já esfriou. Daí me faço de desentendido e bebo mesmo assim. Talvez para não me sentir culpado novamente, como se isso fosse um pedido de desculpas.
Isso tudo por causa de uns olhos cor de café. Olhos esses que esfriaram diante dos meus, enquanto eu, amuado em algum beco qualquer da minha mente egoísta, pensava no que fazer, no que falar, no que sentir.  
Ah! Quantos olhos já esfriaram! Quantos!

2 comentários:

  1. Então, é triste quando acompanhamos olhos esfriando bem em nossa frente, e não podermos fazer nada.

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