aviso

ironicamente neste espaço público existe o mais sórdido, o mais íntimo e o mais verdadeiro de mim e tudo quanto foi extraído

frequentemente usei palavras que não entendo, imitei escritores e escritas: forçadamente rebuscado ou forçadamente não-rebuscado

nunca encontrei verdade, mas ainda assim fui real: escrevi com a vontade dura e inegável do caroço do abacate

17/04/2014

Duzentos Quilos de Mundo

Naqueles tempos a vida era mais simplória - não uso a palavra "simples" pois era de fato complexa, mas os desejos eram mais bobos. A gente queria tocar violão nos sábados e mostrar as músicas que aprendemos na semana, jogar video-game e andar pelo supermercado fazendo piada de tudo.
Então depois de uns dez anos nós crescemos e, sendo adultos, os desejos ficaram maliciosos e pervertidos. Passamos a querer o mundo nas nossas mãos, mas quase sempre ele escapa e fica bem em cima de nossas costas, o que nos rende grandes dores.
 São assim então as grandes aventuras e ambições da vida adulta? Carregar duzentos quilos de mundo todo dia. duzentos quilos de terra, aliás, pois não há um traço humano ou vivo em nossos mundinhos de lama. Ninguém nos contou essa parte do trabalho inútil, da hora-extra, das obrigações inadiáveis para com os almoços de domingo.

Um comentário:

  1. Ainda antes esperávamos os natais para escolher os personagens e máquinas dos comandos em ação, confesso: Jack e Johnny eram os meus preferidos. Mas porquê depois que crescemos perdemos os nossos heróis? Tanto os Jacks e Johnnys quantos os Reinaldos e Moacieres? Acho que porque de um modo ou de outro eles são passageiros e nos ensinam a ser os novos. Otimo texto Fe, sou seu fã desde criancinha

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